terça-feira, 29 de novembro de 2011

Chile planeja legalizar matança de leões marinhos e ecologistas reagem


A matança de leões marinhos é um foco de protestos comum de ecologistas no Chile. E a indignação tem tudo para se intensificar caso seja colocado em prática o “Plano de Manejo Populacional de Leões Marinhos” pelo governo de Sebastián Piñera, que legaliza a caça do animal.
O projeto, em estudo pela atual administração desde janeiro, mas que ganhou impulso em julho com a chegada de Pablo Longueira ao Ministério da Economia, pretende eliminar os decretos ambientais que protegem esses animais e estabelecer quotas de caça aos pescadores artesanais que, segundo o governo, são os principais interessados. Isso porque os leões marinhos consumiriam todos os peixes de áreas dedicadas à pesca artesanal.
De acordo com Juan Carlos Cárdenas, diretor da ONG Ecoceanos, uma das responsáveis pela campanha SOS LEÕES MARINHOS, a versão do governo é mentirosa. O médico veterinário afirmou que os principais interessados no extermínio dos leões marinhos no litoral chileno são as grandes empresas salmoneiras do sul do Chile.

Cárdenas explicou que os ataques dos leões marinhos aos grandes cativeiros de salmão do sul chileno geram perdas anuais de aproximadamente US$ 140 milhões e que a espécie – nativa – é alvo de matanças ilegais desde a introdução do salmão na biodiversidade marinha do país nos anos 1980, quando a recém surgida indústria salmoneira encontrou nos mamíferos um dos principais inimigos da expansão da produção.

As mensagens do governo sobre o tema são confusas. Guillermo Rivera, diretor do SernaPesca (Serviço Nacional de Pesca, responsável pela regulação do setor no Chile) na região de Chiloé, principal pólo salmoneiro do país, declarou ao jornal local La Estrella que “não é necessária uma lei específica para a caça de leões marinhos, pois a espécie consta na lista de recursos marinhos autorizados pelo governo”.

Na página do SernaPesca, porém, o leão marinho comum (otaria flavescens) não consta na lista de espécies consideradas recurso marinho aptos para a pesca, embora apareçam em uma lista de espécies em conservação nove diferentes espécies de pinípedes (família à qual pertencem os leões marinhos, focas e morsas). Cárdenas diz que as espécies na lista são típicas das zonas austral e subantártica chilena, e não se trataria do leão marinho comum (otaria flavescens).

O líder ecologista, para quem o Plano de Manejo Populacional de Leões Marinhos como “uma medida populista, cruel e inútil”, diz que os pescadores artesanais estão sendo usados pelo governo e pela indústria pesqueira, com culpa caindo somente sobre eles.
Versão dos pescadores

Por sua parte, o presidente da CONAPACH (Confederação Nacional dos Pescadores Artesanais do Chile), Hector Morales, desmentiu que a política de eliminação dos leões marinhos foi motivada pelos pescadores. “Não pedimos nada, nem participamos da elaboração de nenhum plano”, afirmou aoOpera Mundi. “Os pescadores só apoiarão um projeto caso ele conte com apoio da sociedade e dos ambientalistas”, concluiu.

Entretanto, na mesma edição do La Estrella de Chiloé em que o diretor do SernaPesca afirma não ser necessária lei específica para a caça de leões marinhos, Morales disse que “os pescadores estão de acordo, em termos gerais [com a ideia de caçar leões marinhos] já que a lei permite a pesca de investigação, além de outras muitas alternativas de exploração bastante rentáveis”.

Em Valparaíso, no litoral central do Chile, onde existe uma das mais antigas e organizadas comunidades de pesca artesanal do país, os pescadores artesanais dizem que não se consideram representados pela CONAPACH. Segundo eles, a diretoria é formada majoritariamente por donos de barcos pesqueiros, que negociam políticas com o governo de acordo com os interesses deles e não dos verdadeiros pescadores.

Um dos mais antigo pescadores de Valparaíso, Luis Ottermann trabalha no mar há mais de 60 anos, e hoje diz que mal consegue o suficiente para sobreviver. “Nos últimos dois meses, meu barco voltou cheio somente cinco ou seis vezes, e na maioria dos dias não encontro nada”.

Luis herdou a profissão do pai, quem também lhe deixou o barco, vendido há mais de 15 anos. Hoje, ele precisa alugar um para poder seguir trabalhando. “Quando tinha o meu barco, conseguia pescar até uma tonelada por mês, e tudo o que vendia era meu. Agora, minha renda é menos da metade da pesca do dia”, disse.

Luis negou que os pescadores estejam por trás do projeto sobre os leões marinhos, mas não descartou se dedicar à caça caso seja uma opção rentável. “Se for para proveito dos pescadores e melhorar as condições em que a maioria vive atualmente, como vou dizer que não?”, questionou. 

Opera Mundi

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